"Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou
(...) Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não?
Por que não, por que não?
Por que não, por que não?"
(Caetano Veloso)
Hoje acordei sabendo que nao iria trabalhar, pois estou de "recesso" no Inea. Resolvi tomar coragem e ir até a Riofarmes já que amanhã partimos para São João Del Rei. Pedi um táxi para pagar no débito. Acabei me confundindo e peguei um táxi que não era o meu e que não aceitava cartão! Porque logicamente, as coisas nunca são fáceis, né!
Cheguei a Riofarmes e depois de esperar uns 20 minutos em pé na fila, descobri que faltava apresentar exames! Alguns que eu tinha Aí em casa e outros que teria que realizar. Comecei a ficar chateada, mas sem me alterar. AFINAL, trabalho no serviço público estadual, sei que tudo no serviço público é difícil e que, às vezes, erros ocorrem! Eu havia ligado para a farmácia para me certificar de todos os documentos necessários para dar entrada no pedido de cadastramento. A atendente foi muito solícita, mas esqueceu simplesmente de me dizer que para tomar fingolimode pela secretaria de saúde, eram necessários uns 10 exames, o que aliás, a médica também não me alertou. Resumo: não adianta dar pity e "é hora de dar tchau!"
Foi aí que lembrei que não tinha mais nem um centavo para pegar táxi para voltar pra casa e foi então, que a música dos anos rebeldes surgiu na minha cabeça! andei e andei e andei, num sol de 40 graus da farmácia até o ponto do 434 na presidente vargas. Atravessei a passarela de escada e cheguei sã e salva em casa!
O ponto importante de tudo isso, além da ineficácia do serviço público, é o fato de que muitas vezes, eu me julgo incapaz e me enfio em qualquer táxi, quando na verdade, eu teria condições de chegar até o ponto de ônibus. Venho gastando muito mais do que posso/desejo e creio que mais do que preciso com táxis, porque, muitas vezes, a fadiga, a depressão e todos os sintomas, amigos da esclerose, me vencem!
Não é fácil perceber quando devo ou não tomar o táxi, assim como não é fácil tomar muitas outras decisões, de cunho mais importante, relativas à esclerose!
Às vezes, meu desejo era apenas lidar com os sintomas da EM enquanto outrem tomava as decisões por mim! Vontade de apenas sobreviver enquanto alguém deslindasse minha vida INTEIRA! Se fosse assim, já não seria fácil! Então, imaginem o quanto é, de veras, difícil! Costumo dizer que a EM é cruel porque te incapacita aos poucos e te mantém, por muitas vezes, normal, perante os olhos dos outros!
A vida seguiu, o dia seguiu e eu ainda encarei uma consulta com o neurologista que, após toda a epopeia da Riofarmes, me sugeriu um novo medicamento, desde que a minha outra neuro (especialista em EM) concorde! não pensem que fiquei triste, pois de fato, creio que o tratamento que faço não está dando resultados. Encarei como mais uma reviravolta nos meus dias de esclerosada e como uma nova chance, um novo tratamento, um novo ciclo, uma nova esperança!
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