domingo, 14 de fevereiro de 2016

EM Carnaval...

"(...) O homem sério que contava dinheiro parou 
O faroleiro que contava vantagem parou 
A namorada que contava as estrelas parou 

Para ver, ouvir e dar passagem  

A moça triste que vivia calada sorriu 

A rosa triste que vivia fechada se abriu 
E a meninada toda se assanhou 

Pra ver a banda passar 

Cantando coisas de amor 


O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou 

Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou 

A moça feia debruçou na janela 

Pensando que a banda tocava pra ela  

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu 

A lua cheia que vivia escondida surgiu 

Minha cidade toda se enfeitou 
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor (...)" 


(A banda - Chico Buarque)

Esse carnaval começou com um quê de insegurança, afinal, passaríamos eu e meu filho Lucas, sem o papai Rodrigo e a nossa secretária Gabriela. Teríamos o apoio e a casa da vovó para comer, descansar e sobretudo, dormir; mas, estaria eu preparada para o carnaval carioca? Poder vestir no Lucas cada uma das muitas fantasias deste ano, para curtirmos juntos? 

Resolvi não pensar, não me preparar, não fazer agenda de blocos e bailes... Resolvi replicar a minha resolução de ano novo de 2016, e viver um dia, uma hora, um minuto, um segundo de cada vez.

Deixei de ser a namorada que contava as estrelas, a moça triste que vivia calada, a 'esclerosada' fraca e a moça 'gorda'. Me MEXI no sofá, como mexi nesta música. Levantei, me debrucei nas grades da janela, SORRI! E sorrindo, esqueci do cansaço e pensei, na minha cidade maravilhosa toda enfeitada! Começamos pelo baile infantil do Boulevard Rio Shopping. Daí, fomos para rua e vimos passar a "Marcha Nerd", o "Thriller Elétrico", os "Dinossauros Nacionais" e até uma "Brasília Amarela", que deu de cara com os seguidores de um certo "Sargento Pimenta"! Não fui a todos os blocos que amo, pois eu teria que ter um vira-tempo (no melhor estilo Hermione Granger), mas amei, Amei, AMEI, AMEEEEEEIIIIIIIII cada segundo do meu carnaval, e creio que Lucas também! Foram algumas espumas, muita terra e água nas pracinhas, pastéis, salsichões, refrigerantes e até uma leve vomitada no táxi! Ele foi artista de frevo, Alladin, palhaço, cigano e terminou a farra como um índio LINDO, no baile infantil do Tijuca Tênis Clube. 

Foi uma semana em que Lucas encontrou amigos, e eu também: de escola, de curso de inglês, de faculdade, de trabalho, da VIDA! Houve ainda espaço para família! Foi um carnaval épico, quase mágico! Do tipo que me fez precisar de férias URGENTES, porque as pernas esclerosadas ainda estão "cansadinhas" e me desobedecendo! Na quinta-feira (11/02), voltei ao trabalho, Lucas à escola e papai voltou para casa. A vida voltou ao normal e a cidade está voltando aos poucos. Nesse ponto, gostaria de questionar que essa cidade normal, está longe de ser meu ideal e o ideal de muitos! Ainda assim, escolhi curtir o carnaval, o que, em suma, foi maravilhoso, pois me fez questionar: Se estou bem para curtir, porque não para lutar por direitos? Por uma cidade, um estado, um Brasil e um mundo MELHORES?

Esse texto surgiu, em, parte, porque vi alguns esclerosados afirmando o quão impossível seria curtir o carnaval. Pois bem, esclerosada há 8 anos, eu curti e MUITO! Não objetivo dar lição em ninguém, mas, convidá-los a refletir sobre o quanto, muitas vezes, o nosso maior limitante é o nosso psicológico, a MENTE contra o CORPO. Então, vos digo, em especial para esses amigos de doença e luta: 

"Entendo as dificuldades de vocês! Mas, lhes digo! Saí todos os dias de carnaval, no calor senegalês do RJ, com meu filho de 4 anos a tira-colo e, pasmem, EM SURTO, desde NOVEMBRO! Sou mais do que a Esclerose! Fui pro sol, sintetizar vitamina D! Foco em um dia depois do outro! Pois, como diz Stephen Hawkings: onde há vida, há ESPERANÇA!" 








































4 comentários:

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    1. temos que ser fortes e seguir como conseguimos. Desculpa, por não ter lido antes o comentário. Ando numa correria louca nos últimos tempos e daí, não tenho escrito mais.

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  2. Liane, agora vi mais semelhanças entre nós...vc, assim como eu, convive c a Em a oito anos.
    Eu tb não me limito, a não ser q esteja mal mesmo. O psicológico é bastante poderoso e pode determinar como uma pessoa vai viver sua vida após o diagnóstico, na minha opinião isso tem muito a ver em como ela se enxerga. Claro q várias pessoas passam por situações extremamente difíceis, mas alguns se resguardam demais ou jogam a toalha logo no primeiro tempo.
    Como disse no face, não se entregue, não desista. Vc vai pular muitos carnavais c sua família e amigos.
    Bjs.
    Danielle.

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    1. Oi Dani, obrigada! Só vi o seu comentário hoje, e desculpe pela demora! mas, de certa forma, foi bom, pois hoje estou num daqueles dias horríveis em que a esclerose vence a batalha e em que só se quer dormir! ia postar um texto nada animador, mas seu comentário me animou e decidi ter calma para dar a volta por cima! Vamos que vamos na guerra diária!

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