"Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse permanecer para sempre”.
(Gandhi)
Desde pequena passei a vida achando que eu era apenas uma menina inteligente e que, portanto, não precisava ou não podia ter outros dons. Fui convencida não sei bem como, nem por quem, que eu seria para SEMPRE, uma nerd com cabeça grande, olhos afastados e memória privilegiada.
Esse ano, após insistência da minha irmã e iniciativa do meu marido (que me deu livros de presente), comecei a colorir. Aos poucos estou descobrindo tanta coisa.
1) Não importa se sei ou não pintar, apenas importa que isso me faça bem. Tampouco, importa se as pinturas serão imediatamente úteis, afinal, até os nerds têm direito ao ócio e hoje, mais do que nunca, se sabe que esse ócio é essencial à manutenção da boa qualidade de vida.
2) Pinto para mim, com cores e formas que me representam. JAMAIS pinto como os outros acreditam que eu deva pintar ou para me comparar a alguém. Até os nerds um dia entendem que é possível e preciso fugir, nem que por breves momentos, dessa lógica competitiva e insalubre para qual vem convergindo o mundo global pós-moderno.
3) Todo mundo é capaz de aprender e como se aprende no youtube!! Ainda estou engatinhando. Mas, já noto que absorvi diversas novas formas de pintar. Como uma criança, olhei, interiorizei e agora estou praticando do meu jeito. Costumo agir assim com a minha esclerose também. Por mais que eu sinta as pernas dormentes, me treino a me equilibrar em cada uma delas individualmente. Desenvolvo brincadeirinhas para ver se mantenho a memória e a coordenação (devem me achar doida na rua, mas.quem liga?). Por mais que fique tonta, tenho buscado conversar muda com meu cérebro, tentando sugestiona-lo de que cada segundo de tontura é apenas um momento, que como todos, irá passar. É apenas um estalo em que a máquina não funciona 100%, mas que ainda funciona.
4) Não me obrigo a pintar! Não tenho ordem, metas a cumprir e tampouco preciso terminar um desenho para começar outro. Meus coloridos são dinâmicos como a minha vida. Ultimamente, tem sido difícil levar alguns sintomas da EM e foi então que eu aprendi a me respeitar, me dando o direito de não fazer nada nos momentos em que não estou me sentindo segura. Chamo a atenção para uma questão central: quando se tem EM é preciso mais do que nunca, se conhecer. É preciso entender o momento em que se deve ultrapassar obstáculos, mas também, ceder aos cansaços impostos pelos limites. A linha entre esses dois pontos é tênue e imprescindível e essa autoconsciência é, como a vida, também dinâmica. Ela muda ao passo que mudam os dias, os sintomas, os desafios...
5) Não desisto ainda que eu pareça estar desistindo. Nenhum verso de desenho borrado jamais será abandonado! Eu corto, colo, redesenho, reconstruo o livro como reconstruo a vida de forma diferente a cada novo dia, a cada nova notícia triste, novo sintoma, novo surto, novo tratamento! Às vezes, a reconstrução é mais rápida, às vezes lenta. Às vezes total, às vezes parcial. Às vezes sem marcas e às vezes lotada de cicatrizes. Mas, fato é que a vida é um construir e reconstruir diário e é por isso, que trata-se de aprendizagem contínua!




























Adorei seu blog meu amor
ResponderExcluirObrigada amor e um 2016 cheio de bons momentos para nós e Lucas. Te amo.
ExcluirParabéns pelo blog e pela força. Estou assim como você aprendendo a me conhecer e lidar com a EM.
ResponderExcluirApesar de ter o diagnóstico há sete anos só há pouco mais de um ano comecei a me conscientizar sobre o que a doença realmente é e ela NÃO é o fim, ela NÃO vai me limitar (embora existam as óbvias consequências de cada novo surto). Eu sei que sou forte o bastante pra brigar com ela.
Isso mesmo Isa! Vamos vivendo e vencendo dia após dia!Será que mandamos no nosso cérebro ou ele em nós?! Feliz 2016 e obrigada pelo apoio ao blog.
ExcluirQuerida ana paula, nao entendi o motivo, mas, o comentário veio em branco. Abraços, liane
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